domingo, 26 de janeiro de 2014

O NASCIMENTO DA FILOSOFIA E SUAS DEFINIÇÕES

O nascimento da filosofia e suas definições

É comum ouvir dizer que a filosofia nasceu na Grécia em torno de 500 ~ 400 A.c, quando dizem que a filosofia passou a ser a desmitificação dos mitos, que até então era a explicação de diversos fenômenos. Eu não concordo que esse seja o nascimento da Filosofia. Na verdade, a filosofia foi apenas definida nessa época, e passou a ser estudada com mais compreensão e busca de explicações, mas isso é apenas uma das correntes filosóficas. Foi quando Pitágoras definiu o raciocínio com a palavra “Philo” (amante ou Amigo) com “Sophia” (Conhecimento, saber). A palavra então passou a ser usada pra definir essa busca de conhecimento que aliás, já existia em outros povos, como os Nômades que passou a não migrar ou imigrar e aprendeu a plantar, e antes dos povos nômades com certeza teve outros povos que também desenvolveram alguma outra ciência (Sacerdotes e Profetas Egípcios, Druidas Celtas, Magos Persas, Babilônios, Assírios e seus Caldeus, entre outros povos, também citados por Aristóteles no livro “O mágico” e outros também citados por Diógenes de Laércio e Pitágoras, que especifica também que Tales de Mileto teve como mestre um Sacerdote Egipcio)  que não girava em torno de apenas a pratica, mas o lado racional dessa pratica, como o porque a planta cresce.
O pensamento racional já estava existindo e também a busca de explicações para os fenômenos. Os gregos por exemplo, um dos sete sábio da Antiga Grécia, Tales de Mileto buscou a explicação de origem, o chamado de “Archê”, o principio que da origem. Tales também enriqueceu bastante, quando soube definir as estações do ano, e assim plantando e colhendo nos tempos certos, aumentou sua produtividade.
Bom, voltando ao topo do assunto, a filosofia apenas foi definida por Pitágoras, e assim estudada e logo padronizada. Filósofos como Sócrates e Platão dão origem a um novo conceito de filosofia, padronizando então o tema e dizendo o que é e o que não é filosofia. Oras, se posso chamar de filosofia qualquer pensamento racional, porque devo então defini-la como a busca da verdade? Também, mas nem sempre. Buscar a verdade é uma corrente filosófica, mas não quer dizer que seja a Filosofia no todo. Logo a Filosofia com destino de padronização, leva Platão a criticar pensadores contemporâneos a ele, como os sofistas, que usavam de seus conhecimentos como comércio! Ora, filosofia então não é um pensamento livre? Sim. Isso não quer dizer que devo passar a você tudo que aprendo de graça, isso fere meu direito, pois assim eu nem venderia livros e poderia morrer de fome. E se filosofia é um pensamento livre, posso comercializa-lo livremente também. E os mitos, são também filosofia? Sim. E porque não seria? Mesmo que exista a corrente filosófica que busca a explicação, essa mesmo que deu origem a ciência, existe a filosofia que também explica as coisas utilizando a subjetividade. É nessa que o mito passa a ser um tema filosófico, pois, o mito não é necessariamente verdade e nem mentira, e sim uma suposição de qualquer um dos dois, que o torna um tanto pessoal e liberal.

TALES DE MILETO

Tales de Mileto e o Princípio da Filosofia tradicional.

(Baseado nos escritos do historiador Diógenes de Laércio – Século terceiro da Era Cristã).
O que significa “Filosofia”?
A palavra “Philosophie” é de origem grega, e tem por significado “Amante do conhecimento e do saber”, descrita por Pitágoras. Sua origem é desconhecida no contexto, mas sua definição por palavra foi desenvolvida no Apogeu Grego. A Filosofia tradicional, tem por descrição o primeiro Filosofo que buscou a ciência, explicações das causas naturais e o principio subjacente de todas as coisas (Archê) “Tales de Mileto”. Mas será Tales o primeiro Filosofo?
Para Aristóteles e Sôlon não exatamente! Aristóteles descreve em seu Livro “O Mágico” que os primeiros filósofos teriam sido os Sacerdotes e Profetas Egípcios, Druidas Celtas, Magos Persas, Babilônios, Assírios e seus Caldeus entre outros demais, assim como Homero e Hesíodo na Mitologia e a Mitogonia.
Tales de Mileto, um dos sete sábios da antiga Grécia, cujo biografias indicam não ter tido um mestre é descrito por Diógenes de Laércio (Livro “Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres) como aluno de um dos sacerdotes egípcios, que lhe ensinou geometria. Ao voltar para a colonia grega, usufruiu de seus conhecimentos para enriquecer sua produtividade no plantio, e tendo sucesso, elaborou também teses (Obs*) sobre as estações e os dias do ano.
Então, a Filosofia existe desde antes de Tales de Mileto?
De certa forma sim. Mas, sua origem é apenas uma incógnita, pois terá de ser redefinida para ser afirmada.
Obs* Arche (Principio de tales era a água)
Obs* – Tales não deixou escritos, mas a astronomia náutica é atribuída a ele. O livro aponta autoria de Focos de Samos, e alguns biógrafos também atribui a Tales mais duas autorias “Dos Solstícios e Dos equinócios”.
Tales é apontado também como o primeiro a estudar astronomia e predizer os eclipses solares e a determinar Os Solstícios.
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A FILOSOFIA NÃO É ÚTIL A NADA...


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

PORQUE A CORUJA É O SIMBOLO DA FILOSOFIA?






A coruja – símbolo da filosofia







A coruja da filosofia é a Coruja de Minerva. Minerva é uma deusa romana. Seu equivalente grego é Athena.
A deusa Athena é filha predileta do deus dos deuses, Zeus, e da deusa Metis, cujo nome significa “conselheira”, e que indica a posse de uma sabedoria prática. Athena não nasceu de parto normal. Zeus engoliu a esposa, Metis, para se safar do filho que, pensava ele, poderia destroná-lo, aliás como ele próprio fez com seu pai, Cronos. O nascimento de Athena se dá de um modo especial: após uma grande dor de cabeça, Zeus teve sua fronte aberta por um de seus filhos, e daí espirrou Athena, já forte e grande.
Athena seria a protetora natural de Athenas – uma vez que estava ligada à idéia de cuidado com as habilidades manuais, com as artes em geral, com a guerra enquanto capacidade de proteção e, enfim, com a sabedoria, ou seja, tudo que deveria comandar uma cidade.
Todavia, foi desafiada por Poseidon, que também desejava ser o protetor da cidade de Atenas. Os deuses em reunião decretaram que ficaria com a cidade aquele que produzisse algo de mais útil aos mortais. Poseidon fez o cavalo, Athena fez a oliva. A vitória foi concedida a Athena. A disputa clássica na vida de Athena, no entanto, foi contra uma mortal – Arachne, talvez uma princesa, mas que aparece na mitologia como um tipo de doméstica. Arachne tecia muito bem, maravilhosamente, a ponto de dizerem que a própria deusa das habilidades, Athena, a havia ensinado. Mas Arachne negava tal fato e retrucava que poderia produzir uma rede muito superior a qualquer coisa que Athena fizesse. E assim desafiou a deusa.
Athena transformou-se em uma velha e foi procurar Arachne, para aconselhá-la a não desafiar um deus. Mas Arachne ficou furiosa, e manteve seu desafio. E então veio o confronto. Ambas teceram rapidamente, mostrando uma habilidade incrível, e a própria disputa se fez de modo tão fantástico que parecia uma homenagem ao trabalho. No produto de Athena, as figuras tecidas mostravam os deuses, imponentes, mas desgostosos com a presunção dos mortais. No produto de Arachne, as figuras exemplificavam erros dos deuses – tudo em forma de deboche. O resultado foi que Athena não suportou o insulto, e se insurgiu contra Arachne. Quando foi para colocar fim na vida de Arachne sentiu piedade (piedade grega, não cristã, é claro) e a poupou, deixando-a viver como um estranho animal – a aranha.
O mito pode ser lido como tendo o objetivo mostrar a criação da aranha. Mas, como sempre, fornece mais leituras: mostra Athena como compreensiva aos erros humanos: um deus que não fosse Athena não se daria ao luxo de virar uma mortal para, sutilmente, persuadir um outro mortal de não insultá-lo. Assim, com tal característica, Athena era de fato a condutora da cidade de Athenas, que recebeu tal nome por causa dela. Inspirados em Athena, os cidadãos gregos daquela cidade aprenderiam a se comportar diante das leis urbanas, deveriam tomar as melhores decisões, evitar conflitos e se proteger, ordenadamente – inclusive através da guerra – contra inimigos externos.
A imagem de Athena povoou as mentes de alguns filósofos. Platão, ao falar de Athena, a tomou como protetora dos artesãos, ressaltando o caráter da deusa enquanto não somente uma guerreira e conselheira, mas efetivamente como aquela que, desde o momento que deu a oliveira aos mortais, estava preocupada em honrar a sabedoria prática, a habilidade de usar as mãos em articulação com o cérebro. Talvez Marx, ao falar que o pior engenheiro é ainda melhor que a melhor das aranhas, estivesse pensando, de fato, em Arachne. Mas certamente é com Hegel que Athena se imortalizou para nós modernos, finalmente, na sua ligação com a filosofia. É claro que predominou seu nome romano, Minerva. E mais que a própria deusa, a coruja ficou no centro da história.
A frase de Hegel, que diz que a Coruja de Minerva levanta vôo somente ao entardecer, alude ao papel da filosofia. Ou seja, a filosofia só pode dizer algo sobre o mundo, através da linguagem da razão, após os acontecimentos que haviam de acontecer realmente acontecerem. Antes que “prever para prover”, que é um lema de Comte e, portanto, do espírito cientificista, Hegel preferia dar crédito a uma postura filosófica que se via distinta da postura da ciência: a voz da razão explica – racionaliza – a história. Ou seja, depois da história, ela mostra que esta não foi em vão.
Quando dizemos, com William James, que cada filosofia é o temperamento do filósofo que a criou, podemos então caminhar mais um pouco e dizer que Marx e Hegel aparecem como os que melhor encarnaram a própria psicologia de Athena para tecerem suas filosofias. Marx e Hegel, cada um com sua própria psicologia, seus temperamentos, captaram o espírito de Athena para fazerem disso espelhos para suas filosofias. Pois, afinal, Athena detinha com suas duas facetas o espírito de suas filosofias: de um lado, Athena era a protetora de uma democracia de artesãos, de outro, a racionalizadora das decisões urbanas. Portanto, Marx e Hegel, em essência! Mas sabemos que, de fato, o símbolo da filosofia ficou sendo a coruja, não Athena. Poderia ser outro animal, e não a coruja, o mascote de Athena? E como mascote da filosofia, o que indica?
A coruja não é bela. Platão era tido como belo, mas Sócrates era horrível. A coruja não é adepta de uma visão unidirecional, ela gira a cabeça quase que completamente, vendo todos os lados. Platão era adepto de uma visão unificadora, mas Sócrates era quase um perspectivista. Platão ensinava em uma escola que, muitas vezes, foi oficial. Mas Sócrates ensinava nas ruas. Foi acusado e condenado por seduzir os jovens, por roubá-los da Cidade, da Pólis. A coruja, por sua vez, é a ave de rapina par excelencia, e apanha os descuidados – na noite. Os leva da cidade, para seu ninho. E então, dá para entender, agora, o que é que coruja e filosofia fazem juntas?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Introdução à Filosofia

Introdução à Filosofia
OS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS
ESCOLA MILÉSIA:
Tales: arché=água; cálculo da altura da pirâmide com o dedão; tudo cheio de deuses; o 1º a tentar explicar o cosmos.
Anaximandro: arché=o ilimitado; cartógrafo; Terra cilíndrica.
Anaxímenes: arché=ar; tudo feito de ar.
Heráclito: arché=fogo; “um homem não passa pelo mesmo rio duas vezes”; primórdio da dialética. O movimento é o embate constante de forças opostas que possibilitam a harmonia cósmica. Pai do raciocínio dialético, sem anular as forças, depois Marx usa, mas anula as forças (Burguesia + Proletariado = Comunismo).
ESCOLA ELEÁTICA (italiana) prova matematicamente que o movimento dialético não existe, a essência é permanente, eterna e indestrutível. A forma muda, por isso quem busca a forma nunca alcança.
Parmênides: pai da metafísica (EON, o ser, que está além do físico) e da física; toda mudança é ilusória. Monismo. Foi discípulo de Pitágoras. O que se transforma não É, ESTÁ. O real é invisível, mas se pode ser pensado é porque existe. O nada é o não-ser.
Zenão só considera o espaço, ignora o tempo. (flexa…)
Pitágoras foi filho de joalheiros e associou a beleza, a harmonia e a perfeição às formas geométricas e à matemática, por isso foi estudar matemática para se aproximar da descoberta dos segredos do universo. Metempsicose (viagem da alma, reencarnação). Fundou uma seita inspirada em Dionísio, uma divindade grega representada por um pênis como sendo o poder da vida, a fertilidade (potência contínua e incontrolável). Nosso intelecto luta contra a potência da vida, mas os gregos não acreditavam que pudessem vencê-las, por isso se rendiam a ela nas festas de orgias e bebedeiras até perder a consciência, pois a consciência os separava de Deus. A seita foi perseguida e extinta, pois colocava os homens e mulheres no mesmo patamar e não gostava de açougueiros (atrapalhavam a reencarnação).
PLURALISMO tenta aliar idéias de outras escolas;
Leucipo: escola atomista; tudo o que existe é composto por átomos que têm formas geométricas infinitas (Pitágoras), sempre existiram e sempre vão existir (Parmênides). Eles estão se movimentam para formar novas coisas (Heráclito) e quando uma pessoa morre é porque os átomos se organizaram de uma maneira diferente. Não há vida eterna.
Empídocles: tudo é composto pelos 4 elementos (água, fogo, terra e ar) e suas combinações. O que impulsiona essas combinações é o amor e o ódio. Isso vai originar a alquimia.
SURGE SÓCRATES:
Vive em Atenas, séc. IV e V, onde o conhecimento dos Sofistas é valorizado, mas busca a essência das coisas, que está no mundo das idéias. Defende uma verdade que é universal e permanente porque se baseia no inteligível. Criou umdialético (diálogo de teses contrárias, a ironia e a maiêutica) para chegar a um conceito, que é um conhecimento mais essencial, permanente. Se dizia parteiro de almas. Seus conceitos foram escritos por Platão. Foi condenado aos 70 anos. “conhece-te a ti mesmo”; “só sei que nada sei”.
Sofistas: se dedicavam à educação intelectual das elites, ensinando conhecimentos voltados à vida pratica e argumentação; os Sofistas acreditavam que não existia uma verdade única, apenas opiniões que não eram boas ou ruins, apenas diferentes, que variavam de acordo com cada homem, pois o homem era a medida de todas as coisas.
Atitude Filosófica: saída da caverna; pode ocasionar crises, pois questiona o sentido de nossas crises costumeiras (escavações de um andarilho). Buscar conhecer as coisas para além das convenções, através da reflexão, da crítica e da razão, desconfiando de nós mesmos, dos outros e das coisas.
Platão: discípulo de Sócrates; fundou a Academia; acreditava que as essências estão no mundo das idéias (invisível e perfeito). Tudo tem dupla natureza, a física (sombra da caverna que se realiza materialmente) e a alma (a essência; está presa no corpo e só se realiza quando desencarna). Os sentidos ligam o corpo à matéria e a razão liga a alma às idéias. O filósofo ajuda as pessoas na obtenção do conhecimento verdadeiro, que liberta e é racional, além de realizar a alma. A grandeza matemática é produto da criação da alma. Idéias são as formas absolutas de todas as coisas. Todo aprendizado é uma anamnese; método dos geômetras: Platão trabalhava os temas como se fossem problemas, pedindo aos interlocutores que formulassem hipóteses para resolvê-lo e, por meio da dialética, os conduzia a outros problemas, que só seriam resolvidos quando se chegasse à uma não-hipótese, que pudesse resolvê-los a todos.
Dialética: diálogo de opostos, chega a uma síntese à partir de opiniões diferentes.
Ontológica: o estudo do SER.
Marilena Chauí (para quê filosofia?): Néo e Sócrates X Matrix; mito da caverna; oráculo: mensagem divina ou pessoa que a decifra.


Fichamento: Para que Filosofia?

Para quê filosofia?
Marilena Chauí
Conhece-te a ti mesmo
Um oráculo pode ser uma mensagem divina ou uma pessoa que recebe essa mensagem e a repassa para quem perguntou. Na Grécia antiga, essa pessoa normalmente era mulher e era chamada de sibila. Na cidade da Delfos, havia um santuário para o deus Apolo, o patrono da sabedoria, onde, sobre o portal da entrada estava a frase “conhece-te a ti mesmo”. Sócrates foi até esse santuário para descobrir se era um sábio, como as pessoas diziam; quando o oráculo perguntou o que ele sabia, ele disse: “só sei que nada sei”, e o oráculo disse que ele era o mais sábio de todos os homens por ser o único que sabia que não sabia. No filme MATRIX, Néo também leu a frase “conhece-te a ti mesmo”, que significava que só ele poderia saber se ele era “o escolhido”.
Neo e Matrix
Néo: novo, renovado.
Morfeu: filho do Sono e da Noite, era uma entidade que vagava entre os mundos e invadia os sonhos; usava uma papoula vermelha para acordar (despertar) as pessoas.
Matrix: vem do latim, “mãe”, significa útero. Seu poder, no filme,controla as pessoas através de uma realidade virtual. Um verdadeiro combate contra ela seria mental, e vencê-la significaria libertar os seres humanos do mundo de ilusão em que ela os colocou.
Neo e Sócrates
No filme, Néo era um hacker que invadia redes de computadores e decifrava seus códigos, era instigado por Morfeu a desconfiar que a realidade não era o que parecia ser.
Na Grécia antiga, Sócrates dizia se sentir instigado por um ‘espírito interior’ a desconfiar da aparência das coisas e buscar a essência delas, que supririam os anseios da alma, e ficava em um mundo superior, o mundo das idéias.

O mito da caverna
Pessoas presas dentro de uma caverna, com a possibilidade de ver apenas sombras, que lhes parecem o mundo real. Um desses prisioneiros se solta e sai da caverna, fica um pouco abalado ao descobrir o verdadeiro mundo, mas acaba se acostumando e volta, para tenta mostrar aos outros prisioneiros que o que eles conhecem não é real. Acaba sendo morto por ter ameaçado a realidade conhecida e incondicionalmente aceita pela maioria.
Fazendo um paralelo, as pessoas são a comunidade em que Sócrates (ou Néo) vivia, a caverna seria o mundo que parece real, o prisioneiro que se solta seria o filósofo (ou o hacker), o mundo real seria o das idéias (assim como no filme seria o mundo mental) e a caverna seria o mundo aparente da polis (ou o que a Matrix criou).
Nossas crenças costumeiras
Temos, em nossa sociedade, verdades estabelecidas que, embora sejam variáveis, normalmente, não são questionadas. Acreditamos que as coisas e os acontecimentos se relacionam e que podemos manipular essas relações em benefício próprio.
Exercendo nossa liberdade
Cremos ter uma vontade própria, e que quando a exercemos, estamos praticando um ato de liberdade. Quando uma pessoa mente e nos avisa, ou mente sem saber que o que diz é mentira, consideramos aceitável. E quando uma pessoa mente de propósito e sem avisar, consideramos inaceitável. Isso nos mostra o caráter da pessoa.
Conhecendo as coisas
Acreditamos que para ver as coisas como realmente são, que devemos ser objetivos e imparciais, sem nos deixar influenciar por sentimentos pessoais. No entanto, tomamos por realidade muitas coisas que consideramos naturais porque sempre estiveram presentes na nossa existência, como a vida em sociedade.
E se não for bem assim?
Por mais que acreditemos na nossa liberdade, somos dominados por regras sociais. Algumas vezes vivemos um conflito entre o que queremos e o que é socialmente aceito.
Momentos de crise
Acontecem quando indagamos sobre a validade ou realidade ou origem de algo que, para nós, sempre foi uma crença. Essa é a origem do pensamento filosófico, e a sede de conhecimento exprime exatamente o significado da palavra filosofia: “amor à sabedoria”.
Buscando a saída da caverna ou a atitude filosófica
Quando alguém decide investigar as opiniões estabelecidas ao invés de aceitá-las, buscando uma explicação racional (que possa ser entendida, aceita, questionada e respeitada) para todas as coisas, se separa da vida social e de si mesmo, iniciando uma atitude filosófica.
A atitude crítica
Geralmente ocorre nos momentos de crise, quando negamos tudo o que é pré-estabelecido e posteriormente questionamos “o que”, “por que” e “como” sobre algo. Esses dois momentos formam a atitude crítica.
Para que Filosofia?
É comum ouvirmos essa pergunta porque consideramos alguma coisa ‘útil’ quando podemos perceber seu uso prático e imediato. Nesse caso, realmente, a filosofia não serve para nada. Podemos dizer que a filosofia é a arte do bem-viver, que se baseia em virtudes, mas ainda que possamos atribuir uma finalidade à filosofia e a atitude filosófica, elas continuam sendo as mesmas e continuam a fazer perguntas intrigantes.
Atitude filosófica: indagar?
Se realiza com três indagações, independente do assunto investigado:o que écomo é, e por que é. Tem atitude filosófica quem buscar conhecer a si mesmo.
A reflexão filosófica
É a volta do pensamento para si mesmo, procura definir quais são os motivos que nos levam a pensar (ou fazer, ou dizer) o que pensamos, qual é o sentido desse pensamento e para quê pensamos isso.
Filosofia: um pensamento sistemático
Ocorrem sistematicamente, ou seja, com lógica, coerência, precisão e provas racionalmente fundamentadas, tudo de forma rigorosa para que as idéias não se contradigam, sendo, portanto, válidas.
Em busca de uma definição da Filosofia
Embora nenhuma definição possa ser considerada completa, podemos encontrar, inicialmente, quatro: visão de mundo, que corresponde a cultura social de cada povo, e por isso mesmo sendo muito ampla;sabedoria de vida, ou seja, a arte do bem-viver; esforço racional para conceber o universo como uma totalidade ordenada e dotada de sentido, que difere de religião já que busca compreender o universo de forma racional e não por meio da fé; fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas, que se ocupa em conhecer os fundamentos racionais do conhecimento.
Inútil? Útil?
Nossa sociedade considera útil o que gera resultados visíveis e imediatos. Muitos filósofos importantes definiram filosofia de diferentes formas, mas todas com um ponto em comum: o benefício humano. Tomando isso por verdade, podemos afirmar que a filosofia é a mais útil das atitudes humanas.

Atitude Filosófica

FILOSOFIA – 1 ANO

Prof. João Bôsco

TEXTO-AULA N°: 02 FILOSOFIA - O que é filosofia?

1. A ATITUDE FILOSÓFICA NA VIDA:

A Filosofia está presente na vida de todos. Costumamos dizer que ela nasceu no mundo ocidental com os antigos povos gregos, embora possamos afirmar que está presente na história do ser humano desde o aparecimento das primeiras civilizações.
Em todos os momentos da vida no planeta, os homens demonstraram interesse em refletir sobre os fenômenos, naturais ou não, que faziam parte de sua existência e de sua sobrevivência, como a chuva, o sol, o fogo, os relacionamentos interpessoais e os sentimentos.
Porém, toda mudança de comportamento exige reflexão e sacrifício, já que quando temos um pensamento ou atitude divergente dos outros, ou quando somos contrariados em nossas verdades, geralmente entramos em crise. Algumas pessoas, receosas de não suportarem essas crises, preferem “fazer de conta” que não há nenhum problema e vão levando a sua vida “numa boa”.
Neste momento, colocamos a seguinte questão: sou livre para fazer o que quero segundo minhas vontades e verdades ou minhas vontades e verdades dependem do outro? E mais, o que penso ser vontade? O que é liberdade? O que posso considerar como justo? Quando realmente estarei pronto para mudar significativamente minhas atitudes?
Para respondermos a estas perguntas, precisamos fazer uma profunda reflexão que nos permita observar e perceber o mundo para além daquele já conhecido, o chamado mundo aparente, como diria Platão (428/27 -347 a.C.). Pois somente o homem repensando suas vontades e verdades será capaz de mudar de atitude frente a vida problemas colocados pelo cotidiano da vida. E, somente aquele homem que não se contenta com as crenças e opiniões preestabelecidas pela sociedade, pela mídia, ciência, política e cultura será capaz de elaborar um olhar crítico e criterioso sobre algo, e ir em direção à atitude filosófica.
Contudo, para fazermos esse movimento de olhar em diversas direções é necessário produzir um tipo de reflexão que nos predisponha a mergulhar de maneira profunda e apaixonada no conhecimento que queremos ter da realidade a nossa volta e, principalmente, do quanto queremos conhecer de nós mesmos. Como dizia Sócrates (470 – 399 a.C), “Conhece-te a ti mesmo”. Este é, sem dúvidas, o primeiro passo para adotarmos a atitude filosófica em nossas vidas.


Prof. de Fil. João Bôsco Almeida Cruz

Perguntas:
1 – Baseado na leitura do texto, responda o que você entende por atitude filosófica.
2 – Relacione a frase do filósofo Sócrates ”Conhece-te a ti mesmo” com o texto “A Atitude

Filosófica na vida”.