- 1° ANO PLANO DE CURSO
- 2° ANO PLANO DE CURSO
- 3° ANO PLANO DE CURSO
- 1° ANO CONTEÚDOS
- 2° ANO CONTEÚDOS
- 3° ANO CONTEÚDOS
- VIDEOS AULA
- ARTIGOS do Prof. BÔSCO
- TRECHOS DE LIVROS
- RESENHAS
- DICIONÁRIO FILOSOFIA
- OS PRÉ-SOCRÁTICOS
- VIDEOS DE FILOSOFIA
- VÍDEOS DE SOCIOLOGIA 1 ANO
- VÍDEOS DE SOCIOLOGIA 2 ANO
- VÍDEOS DE SOCIOLOGIA 3 ANO
- DOWNLOAD - SLIDES
domingo, 26 de janeiro de 2014
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
PORQUE A CORUJA É O SIMBOLO DA FILOSOFIA?

A coruja – símbolo da filosofia
A coruja da filosofia é a Coruja de Minerva. Minerva é uma deusa romana. Seu equivalente grego é Athena.
A deusa Athena é filha predileta do deus dos deuses, Zeus, e da deusa Metis, cujo nome significa “conselheira”, e que indica a posse de uma sabedoria prática. Athena não nasceu de parto normal. Zeus engoliu a esposa, Metis, para se safar do filho que, pensava ele, poderia destroná-lo, aliás como ele próprio fez com seu pai, Cronos. O nascimento de Athena se dá de um modo especial: após uma grande dor de cabeça, Zeus teve sua fronte aberta por um de seus filhos, e daí espirrou Athena, já forte e grande.
Athena seria a protetora natural de Athenas – uma vez que estava ligada à idéia de cuidado com as habilidades manuais, com as artes em geral, com a guerra enquanto capacidade de proteção e, enfim, com a sabedoria, ou seja, tudo que deveria comandar uma cidade.
Todavia, foi desafiada por Poseidon, que também desejava ser o protetor da cidade de Atenas. Os deuses em reunião decretaram que ficaria com a cidade aquele que produzisse algo de mais útil aos mortais. Poseidon fez o cavalo, Athena fez a oliva. A vitória foi concedida a Athena. A disputa clássica na vida de Athena, no entanto, foi contra uma mortal – Arachne, talvez uma princesa, mas que aparece na mitologia como um tipo de doméstica. Arachne tecia muito bem, maravilhosamente, a ponto de dizerem que a própria deusa das habilidades, Athena, a havia ensinado. Mas Arachne negava tal fato e retrucava que poderia produzir uma rede muito superior a qualquer coisa que Athena fizesse. E assim desafiou a deusa.
Athena transformou-se em uma velha e foi procurar Arachne, para aconselhá-la a não desafiar um deus. Mas Arachne ficou furiosa, e manteve seu desafio. E então veio o confronto. Ambas teceram rapidamente, mostrando uma habilidade incrível, e a própria disputa se fez de modo tão fantástico que parecia uma homenagem ao trabalho. No produto de Athena, as figuras tecidas mostravam os deuses, imponentes, mas desgostosos com a presunção dos mortais. No produto de Arachne, as figuras exemplificavam erros dos deuses – tudo em forma de deboche. O resultado foi que Athena não suportou o insulto, e se insurgiu contra Arachne. Quando foi para colocar fim na vida de Arachne sentiu piedade (piedade grega, não cristã, é claro) e a poupou, deixando-a viver como um estranho animal – a aranha.
O mito pode ser lido como tendo o objetivo mostrar a criação da aranha. Mas, como sempre, fornece mais leituras: mostra Athena como compreensiva aos erros humanos: um deus que não fosse Athena não se daria ao luxo de virar uma mortal para, sutilmente, persuadir um outro mortal de não insultá-lo. Assim, com tal característica, Athena era de fato a condutora da cidade de Athenas, que recebeu tal nome por causa dela. Inspirados em Athena, os cidadãos gregos daquela cidade aprenderiam a se comportar diante das leis urbanas, deveriam tomar as melhores decisões, evitar conflitos e se proteger, ordenadamente – inclusive através da guerra – contra inimigos externos.
A imagem de Athena povoou as mentes de alguns filósofos. Platão, ao falar de Athena, a tomou como protetora dos artesãos, ressaltando o caráter da deusa enquanto não somente uma guerreira e conselheira, mas efetivamente como aquela que, desde o momento que deu a oliveira aos mortais, estava preocupada em honrar a sabedoria prática, a habilidade de usar as mãos em articulação com o cérebro. Talvez Marx, ao falar que o pior engenheiro é ainda melhor que a melhor das aranhas, estivesse pensando, de fato, em Arachne. Mas certamente é com Hegel que Athena se imortalizou para nós modernos, finalmente, na sua ligação com a filosofia. É claro que predominou seu nome romano, Minerva. E mais que a própria deusa, a coruja ficou no centro da história.
A frase de Hegel, que diz que a Coruja de Minerva levanta vôo somente ao entardecer, alude ao papel da filosofia. Ou seja, a filosofia só pode dizer algo sobre o mundo, através da linguagem da razão, após os acontecimentos que haviam de acontecer realmente acontecerem. Antes que “prever para prover”, que é um lema de Comte e, portanto, do espírito cientificista, Hegel preferia dar crédito a uma postura filosófica que se via distinta da postura da ciência: a voz da razão explica – racionaliza – a história. Ou seja, depois da história, ela mostra que esta não foi em vão.
Quando dizemos, com William James, que cada filosofia é o temperamento do filósofo que a criou, podemos então caminhar mais um pouco e dizer que Marx e Hegel aparecem como os que melhor encarnaram a própria psicologia de Athena para tecerem suas filosofias. Marx e Hegel, cada um com sua própria psicologia, seus temperamentos, captaram o espírito de Athena para fazerem disso espelhos para suas filosofias. Pois, afinal, Athena detinha com suas duas facetas o espírito de suas filosofias: de um lado, Athena era a protetora de uma democracia de artesãos, de outro, a racionalizadora das decisões urbanas. Portanto, Marx e Hegel, em essência! Mas sabemos que, de fato, o símbolo da filosofia ficou sendo a coruja, não Athena. Poderia ser outro animal, e não a coruja, o mascote de Athena? E como mascote da filosofia, o que indica?
A coruja não é bela. Platão era tido como belo, mas Sócrates era horrível. A coruja não é adepta de uma visão unidirecional, ela gira a cabeça quase que completamente, vendo todos os lados. Platão era adepto de uma visão unificadora, mas Sócrates era quase um perspectivista. Platão ensinava em uma escola que, muitas vezes, foi oficial. Mas Sócrates ensinava nas ruas. Foi acusado e condenado por seduzir os jovens, por roubá-los da Cidade, da Pólis. A coruja, por sua vez, é a ave de rapina par excelencia, e apanha os descuidados – na noite. Os leva da cidade, para seu ninho. E então, dá para entender, agora, o que é que coruja e filosofia fazem juntas?
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Introdução à Filosofia
Introdução à Filosofia
OS FILÓSOFOS
PRÉ-SOCRÁTICOS
ESCOLA MILÉSIA:
Tales: arché=água;
cálculo da altura da pirâmide com o dedão; tudo cheio de deuses; o 1º a tentar
explicar o cosmos.
Anaximandro: arché=o
ilimitado; cartógrafo; Terra cilíndrica.
Anaxímenes: arché=ar;
tudo feito de ar.
Heráclito: arché=fogo;
“um homem não passa pelo mesmo rio duas vezes”; primórdio da dialética. O
movimento é o embate constante de forças opostas que possibilitam a harmonia
cósmica. Pai do raciocínio dialético, sem anular as forças, depois Marx usa,
mas anula as forças (Burguesia + Proletariado = Comunismo).
ESCOLA ELEÁTICA (italiana) prova
matematicamente que o movimento dialético não existe, a essência é permanente, eterna
e indestrutível. A forma muda, por isso quem busca a forma nunca alcança.
Parmênides: pai da
metafísica (EON, o ser, que está além do físico) e da física; toda mudança é
ilusória. Monismo. Foi discípulo de Pitágoras. O que se transforma não É,
ESTÁ. O real é invisível, mas se pode ser pensado é porque existe. O nada é o
não-ser.
Pitágoras foi filho de
joalheiros e associou a beleza, a harmonia e a perfeição às formas geométricas
e à matemática, por isso foi estudar matemática para se aproximar da descoberta
dos segredos do universo. Metempsicose (viagem da alma, reencarnação). Fundou
uma seita inspirada em Dionísio, uma divindade grega representada
por um pênis como sendo o poder da vida, a fertilidade (potência contínua e
incontrolável). Nosso intelecto luta contra a potência da vida, mas os gregos
não acreditavam que pudessem vencê-las, por isso se rendiam a ela nas festas de
orgias e bebedeiras até perder a consciência, pois a consciência os separava de
Deus. A seita foi perseguida e extinta, pois colocava os homens e mulheres no
mesmo patamar e não gostava de açougueiros (atrapalhavam a reencarnação).
PLURALISMO tenta aliar idéias
de outras escolas;
Leucipo: escola atomista;
tudo o que existe é composto por átomos que têm formas geométricas infinitas
(Pitágoras), sempre existiram e sempre vão existir (Parmênides). Eles estão se
movimentam para formar novas coisas (Heráclito) e quando uma pessoa morre é
porque os átomos se organizaram de uma maneira diferente. Não há vida eterna.
Empídocles: tudo é
composto pelos 4 elementos (água, fogo, terra e ar) e suas combinações. O que
impulsiona essas combinações é o amor e o ódio. Isso vai originar a alquimia.
SURGE SÓCRATES:
Vive em Atenas,
séc. IV e V, onde o conhecimento dos Sofistas é valorizado, mas busca a
essência das coisas, que está no mundo das idéias. Defende uma verdade que é
universal e permanente porque se baseia no inteligível. Criou umdialético (diálogo
de teses contrárias, a ironia e a maiêutica) para chegar a um conceito, que é
um conhecimento mais essencial, permanente. Se dizia parteiro de almas. Seus
conceitos foram escritos por Platão. Foi condenado aos 70 anos. “conhece-te a
ti mesmo”; “só sei que nada sei”.
Sofistas: se dedicavam à
educação intelectual das elites, ensinando conhecimentos voltados à vida
pratica e argumentação; os Sofistas acreditavam que não existia uma verdade
única, apenas opiniões que não eram boas ou ruins, apenas diferentes, que
variavam de acordo com cada homem, pois o homem era a medida de todas as
coisas.
Atitude Filosófica: saída da caverna;
pode ocasionar crises, pois questiona o sentido de nossas crises costumeiras
(escavações de um andarilho). Buscar conhecer as coisas para além das
convenções, através da reflexão, da crítica e da razão, desconfiando de nós
mesmos, dos outros e das coisas.
Platão: discípulo de
Sócrates; fundou a Academia; acreditava que as essências estão no mundo das
idéias (invisível e perfeito). Tudo tem dupla natureza, a física (sombra da
caverna que se realiza materialmente) e a alma (a essência; está presa no corpo
e só se realiza quando desencarna). Os sentidos ligam o corpo à matéria e a
razão liga a alma às idéias. O filósofo ajuda as pessoas na obtenção do
conhecimento verdadeiro, que liberta e é racional, além de realizar a alma. A
grandeza matemática é produto da criação da alma. Idéias são as formas
absolutas de todas as coisas. Todo aprendizado é uma anamnese; método dos
geômetras: Platão trabalhava os temas como se fossem problemas,
pedindo aos interlocutores que formulassem hipóteses para resolvê-lo e, por
meio da dialética, os conduzia a outros problemas, que só seriam resolvidos
quando se chegasse à uma não-hipótese, que pudesse resolvê-los a todos.
Dialética: diálogo
de opostos, chega a uma síntese à partir de opiniões diferentes.
Ontológica: o
estudo do SER.
Marilena Chauí
(para quê filosofia?): Néo e Sócrates X Matrix; mito da
caverna; oráculo: mensagem divina ou pessoa que a decifra.
Fichamento: Para que Filosofia?
Para quê filosofia?
Marilena Chauí
Conhece-te a ti mesmo
Um oráculo pode ser uma mensagem divina ou uma pessoa que recebe essa mensagem e a repassa para quem perguntou. Na Grécia antiga, essa pessoa normalmente era mulher e era chamada de sibila. Na cidade da Delfos, havia um santuário para o deus Apolo, o patrono da sabedoria, onde, sobre o portal da entrada estava a frase “conhece-te a ti mesmo”. Sócrates foi até esse santuário para descobrir se era um sábio, como as pessoas diziam; quando o oráculo perguntou o que ele sabia, ele disse: “só sei que nada sei”, e o oráculo disse que ele era o mais sábio de todos os homens por ser o único que sabia que não sabia. No filme MATRIX, Néo também leu a frase “conhece-te a ti mesmo”, que significava que só ele poderia saber se ele era “o escolhido”.
Neo e Matrix
Néo: novo, renovado.
Morfeu: filho do Sono e da Noite, era uma entidade que vagava entre os mundos e invadia os sonhos; usava uma papoula vermelha para acordar (despertar) as pessoas.
Matrix: vem do latim, “mãe”, significa útero. Seu poder, no filme,controla as pessoas através de uma realidade virtual. Um verdadeiro combate contra ela seria mental, e vencê-la significaria libertar os seres humanos do mundo de ilusão em que ela os colocou.
No filme, Néo era um hacker que invadia redes de computadores e decifrava seus códigos, era instigado por Morfeu a desconfiar que a realidade não era o que parecia ser.
Na Grécia antiga, Sócrates dizia se sentir instigado por um ‘espírito interior’ a desconfiar da aparência das coisas e buscar a essência delas, que supririam os anseios da alma, e ficava em um mundo superior, o mundo das idéias.
O mito da caverna
Pessoas presas dentro de uma caverna, com a possibilidade de ver apenas sombras, que lhes parecem o mundo real. Um desses prisioneiros se solta e sai da caverna, fica um pouco abalado ao descobrir o verdadeiro mundo, mas acaba se acostumando e volta, para tenta mostrar aos outros prisioneiros que o que eles conhecem não é real. Acaba sendo morto por ter ameaçado a realidade conhecida e incondicionalmente aceita pela maioria.
Fazendo um paralelo, as pessoas são a comunidade em que Sócrates (ou Néo) vivia, a caverna seria o mundo que parece real, o prisioneiro que se solta seria o filósofo (ou o hacker), o mundo real seria o das idéias (assim como no filme seria o mundo mental) e a caverna seria o mundo aparente da polis (ou o que a Matrix criou).
Nossas crenças costumeiras
Temos, em nossa sociedade, verdades estabelecidas que, embora sejam variáveis, normalmente, não são questionadas. Acreditamos que as coisas e os acontecimentos se relacionam e que podemos manipular essas relações em benefício próprio.
Exercendo nossa liberdade
Cremos ter uma vontade própria, e que quando a exercemos, estamos praticando um ato de liberdade. Quando uma pessoa mente e nos avisa, ou mente sem saber que o que diz é mentira, consideramos aceitável. E quando uma pessoa mente de propósito e sem avisar, consideramos inaceitável. Isso nos mostra o caráter da pessoa.
Conhecendo as coisas
Acreditamos que para ver as coisas como realmente são, que devemos ser objetivos e imparciais, sem nos deixar influenciar por sentimentos pessoais. No entanto, tomamos por realidade muitas coisas que consideramos naturais porque sempre estiveram presentes na nossa existência, como a vida em sociedade.
E se não for bem assim?
Por mais que acreditemos na nossa liberdade, somos dominados por regras sociais. Algumas vezes vivemos um conflito entre o que queremos e o que é socialmente aceito.
Momentos de crise
Acontecem quando indagamos sobre a validade ou realidade ou origem de algo que, para nós, sempre foi uma crença. Essa é a origem do pensamento filosófico, e a sede de conhecimento exprime exatamente o significado da palavra filosofia: “amor à sabedoria”.
Buscando a saída da caverna ou a atitude filosófica
Quando alguém decide investigar as opiniões estabelecidas ao invés de aceitá-las, buscando uma explicação racional (que possa ser entendida, aceita, questionada e respeitada) para todas as coisas, se separa da vida social e de si mesmo, iniciando uma atitude filosófica.
A atitude crítica
Geralmente ocorre nos momentos de crise, quando negamos tudo o que é pré-estabelecido e posteriormente questionamos “o que”, “por que” e “como” sobre algo. Esses dois momentos formam a atitude crítica.
Para que Filosofia?
É comum ouvirmos essa pergunta porque consideramos alguma coisa ‘útil’ quando podemos perceber seu uso prático e imediato. Nesse caso, realmente, a filosofia não serve para nada. Podemos dizer que a filosofia é a arte do bem-viver, que se baseia em virtudes, mas ainda que possamos atribuir uma finalidade à filosofia e a atitude filosófica, elas continuam sendo as mesmas e continuam a fazer perguntas intrigantes.
Atitude filosófica: indagar?
Se realiza com três indagações, independente do assunto investigado:o que é, como é, e por que é. Tem atitude filosófica quem buscar conhecer a si mesmo.
A reflexão filosófica
É a volta do pensamento para si mesmo, procura definir quais são os motivos que nos levam a pensar (ou fazer, ou dizer) o que pensamos, qual é o sentido desse pensamento e para quê pensamos isso.
Filosofia: um pensamento sistemático
Ocorrem sistematicamente, ou seja, com lógica, coerência, precisão e provas racionalmente fundamentadas, tudo de forma rigorosa para que as idéias não se contradigam, sendo, portanto, válidas.
Em busca de uma definição da Filosofia
Embora nenhuma definição possa ser considerada completa, podemos encontrar, inicialmente, quatro: visão de mundo, que corresponde a cultura social de cada povo, e por isso mesmo sendo muito ampla;sabedoria de vida, ou seja, a arte do bem-viver; esforço racional para conceber o universo como uma totalidade ordenada e dotada de sentido, que difere de religião já que busca compreender o universo de forma racional e não por meio da fé; fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas, que se ocupa em conhecer os fundamentos racionais do conhecimento.
Inútil? Útil?
Nossa sociedade considera útil o que gera resultados visíveis e imediatos. Muitos filósofos importantes definiram filosofia de diferentes formas, mas todas com um ponto em comum: o benefício humano. Tomando isso por verdade, podemos afirmar que a filosofia é a mais útil das atitudes humanas.
Atitude Filosófica
FILOSOFIA – 1 ANO
Prof. João Bôsco
TEXTO-AULA N°: 02 FILOSOFIA - O
que é filosofia?
1. A ATITUDE FILOSÓFICA NA VIDA:
A Filosofia está presente na vida
de todos. Costumamos dizer que ela nasceu no mundo ocidental com os antigos
povos gregos, embora possamos afirmar que está presente na história do ser
humano desde o aparecimento das primeiras civilizações.
Em todos os momentos da vida no
planeta, os homens demonstraram interesse em refletir sobre os fenômenos,
naturais ou não, que faziam parte de sua existência e de sua sobrevivência,
como a chuva, o sol, o fogo, os relacionamentos interpessoais e os sentimentos.
Porém, toda mudança de
comportamento exige reflexão e sacrifício, já que quando temos um pensamento ou
atitude divergente dos outros, ou quando somos contrariados em nossas verdades,
geralmente entramos em crise. Algumas pessoas, receosas de não suportarem essas
crises, preferem “fazer de conta” que não há nenhum problema e vão levando a
sua vida “numa boa”.
Neste momento, colocamos a
seguinte questão: sou livre para fazer o que quero segundo minhas vontades e
verdades ou minhas vontades e verdades dependem do outro? E mais, o que penso
ser vontade? O que é liberdade? O que posso considerar como justo? Quando realmente
estarei pronto para mudar significativamente minhas atitudes?
Para respondermos a estas
perguntas, precisamos fazer uma profunda reflexão que nos permita observar e
perceber o mundo para além daquele já conhecido, o chamado mundo aparente, como
diria Platão (428/27 -347 a.C.). Pois somente o homem repensando suas vontades
e verdades será capaz de mudar de atitude frente a vida problemas colocados
pelo cotidiano da vida. E, somente aquele homem que não se contenta com as
crenças e opiniões preestabelecidas pela sociedade, pela mídia, ciência,
política e cultura será capaz de elaborar um olhar crítico e criterioso sobre algo,
e ir em direção à atitude filosófica.
Contudo, para fazermos esse
movimento de olhar em diversas direções é necessário produzir um tipo de
reflexão que nos predisponha a mergulhar de maneira profunda e apaixonada no
conhecimento que queremos ter da realidade a nossa volta e, principalmente, do
quanto queremos conhecer de nós mesmos. Como dizia Sócrates (470 – 399 a.C), “Conhece-te
a ti mesmo”. Este é, sem dúvidas, o primeiro passo para adotarmos a atitude filosófica
em nossas vidas.
Prof. de Fil. João Bôsco Almeida
Cruz
Perguntas:
1 – Baseado na leitura do texto,
responda o que você entende por atitude filosófica.
2 – Relacione a frase do filósofo
Sócrates ”Conhece-te a ti mesmo” com o texto “A Atitude
Filosófica na vida”.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
O homem moderno e a descrença na Filosofia
O homem moderno e a descrença na Filosofia

A inversão de que trato aqui, a consequência das descobertas de Galileu, embora tenha sido muitas vezes interpretada em termos de inversões tradicionais (1) e, portanto, como integrando a história ocidental das ideias, é de natureza completamente diferente. A convicção de que a verdade objectiva não é dada ao homem e que ele só pode conhecer aquilo que ele mesmo faz não advém do cepticismo, mas de uma descoberta demonstrável e, portanto não leva à resignação, mas a uma actividade redobrada ou ao desespero. A perda do mundo na filosofia moderna, cuja introspecção descobriu a consciência como sentido interior com o qual o indivíduo sente os seus sentidos, e verificou que ela era a única segurança da realidade, difere não só em grau da antiga suspeita dos filósofos em relação ao mundo e aos outros seres que com ele compartilhavam o mundo; agora, o filósofo já não volta as costas a um mundo de enganosa perecibilidade para encarar outro mundo de verdade eterna mas volta as costas a ambos e recolhe-se dentro de si mesmo. O que descobre na região do ser interior, é, novamente, não uma imagem cuja permanência pode ser observada e contemplada, mas, pelo contrário, o constante movimento da percepções sensoriais e a actividade mental, em movimento não menos constante. Desde o século XVII, a filosofia produziu os seus melhores e menos discutidos resultados quando investigava, num supremo esforço de auto-inspecção, os processos dos sentidos e da mente. Sob este aspecto grande parte da filosofia moderna é, realmente uma teoria da cognição e da psicologia; e nos poucos casos em que as potencialidades do método cartesiano de introspecção foram plenamente realizadas por homens como Pascal, Kierkegaard e Nietzsche, somos tentados a dizer que os filósofos experimentaram com o próprio ser não menos radicalmente e talvez mais afoitamente que os cientistas experimentaram com a natureza.
Por mais que possamos admitir a coragem e respeitar a extraordinária engenhosidade dos filósofos no decurso de toda a era moderna, não se pode negar que a sua influência e a sua importância diminuíram como nunca antes ocorrera. Não foi no pensamento da Idade Média, mas no da era moderna, que a filosofia passou a segundo ou mesmo a terceiro plano. Depois de Descartes ter baseado a sua filosofia nas descobertas de Galileu, a filosofia parece condenada a seguir sempre um passo atrás dos cientistas e das suas descobertas, ainda mais espantosas que as de Galileu cujos princípios tenta arduamente descobrir ex post facto e ajustar a alguma interpretação geral da natureza do conhecimento humano. Como tal, porém a filosofia não era necessária aos cientistas que - pelo menos até ao nosso tempo – acreditavam não precisar de uma serva, e muito menos de uma que pretendesse “carregar o archote à frente da sua preciosa ama” (Kant). Os filósofos tornaram-se epistemologistas, preocupados com uma teoria geral da ciência da qual os cientistas não necessitavam, ou tornaram-se realmente aquilo que Hegel queria que fossem: os órgãos do Zeitgeist, os porta-vozes através dos quais o estado de espírito geral da época era expresso com clareza conceptual. Em ambos os casos quer pesquisassem a natureza ou a história, tentavam compreender e fazer face ao que estava a acontecer sem a sua ajuda. Obviamente a filosofia sofreu mais com a modernidade que qualquer outro campo de ocupação humana; e é difícil dizer que sofreu mais em decorrência da quase automática elevação da actividade a uma dignidade completamente inesperada e sem precedentes ou da perda da verdade tradicional, ou seja, do conceito de verdade que havia por trás de toda a nossa tradição.
Hannah Arendt, A condição Humana, Relógio D’Água, Lisboa 2001, pág. 359, 360, 361
(1) A inversão operada por Platão coloca-se em relação aos conceitos Homéricos; assim a vida em comum é a caverna quando para Homero seria a luz, pelo contrário para Platão a luz é a da alma fora da convivência com os outros homens. O que em Homero era sombra, a alma, é em Platão o inverso, é o corpo que é a sombra da alma. Exemplo que, para Arendt, pretende demonstrar a inversão operada pela filosofia em relação aos conceitos de acção e contemplação tradicionais. A vida activa dos filósofos é a vida do pensamento que pressupõe o prévio afastamento e a distanciação da vida mundana da polis mas que não prescinde dela, pelo contrário, deverá querer modelá-la e transformá-la de acordo com o seu lugar privilegiado, ou compreendê-la conceptualmente e impor-lhe limites éticos.
Essa inversão operada por Platão da vida activa para a vida contemplativa, na hierarquia das actividades consideradas superiores, vai ter como consequência o afastamento progressivo da filosofia dos assuntos mundanos e consequentemente da sua capacidade para intervir no mundo real, no mundo dos acontecimentos. Com a introdução do conhecimento moderno esta hierarquia vai viver um novo estatuto, a vida activa e a vida contemplativa ganham um novo significado; a vida activa é condicionada pela produção, o homem da polis, destinado segundo a tradição grega, aos grandes feitos e grandes palavras, dá lugar ao homem fazedor, aquele que produz os instrumentos que permitem transformar o mundo, o que é o mesmo que produzir um outro mundo não acessível aos sentidos, (uma vez que o mundo que é dado a ver por estes novos instrumentos não é o mundo que se vê em comum)o mundo científico/tecnológico. A Filosofia ficará remetida para o exame da consciência, afastamento do comum na medida em que o produto da consciência é algo que não pode ser partilhado enquanto fluxo incessante de representações. Marca de uma outra inversão em relação ao projecto filosófico da tradição antiga que exigia distanciação em relação ao comum de modo a compreendê-lo, o novo projecto busca a compreensão do sujeito enquanto singularidade, o comum passa a ser, não o espaço sensível dos acontecimentos mas o espaço universal da linguagem racional, a matemática, concebido como o único espaço onde os humanos se podem entender. Deste modo a linguagem da Filosofia passa a ser algo fora da linguagem comum, algo sobre o qual os homens não se entendem, um espaço de ideias que não versam o mundo exterior ao homem e também não versam o que é comum aos homens.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Assinar:
Postagens (Atom)

