segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Atitude Filosófica

FILOSOFIA – 1 ANO

Prof. João Bôsco

TEXTO-AULA N°: 02 FILOSOFIA - O que é filosofia?

1. A ATITUDE FILOSÓFICA NA VIDA:

A Filosofia está presente na vida de todos. Costumamos dizer que ela nasceu no mundo ocidental com os antigos povos gregos, embora possamos afirmar que está presente na história do ser humano desde o aparecimento das primeiras civilizações.
Em todos os momentos da vida no planeta, os homens demonstraram interesse em refletir sobre os fenômenos, naturais ou não, que faziam parte de sua existência e de sua sobrevivência, como a chuva, o sol, o fogo, os relacionamentos interpessoais e os sentimentos.
Porém, toda mudança de comportamento exige reflexão e sacrifício, já que quando temos um pensamento ou atitude divergente dos outros, ou quando somos contrariados em nossas verdades, geralmente entramos em crise. Algumas pessoas, receosas de não suportarem essas crises, preferem “fazer de conta” que não há nenhum problema e vão levando a sua vida “numa boa”.
Neste momento, colocamos a seguinte questão: sou livre para fazer o que quero segundo minhas vontades e verdades ou minhas vontades e verdades dependem do outro? E mais, o que penso ser vontade? O que é liberdade? O que posso considerar como justo? Quando realmente estarei pronto para mudar significativamente minhas atitudes?
Para respondermos a estas perguntas, precisamos fazer uma profunda reflexão que nos permita observar e perceber o mundo para além daquele já conhecido, o chamado mundo aparente, como diria Platão (428/27 -347 a.C.). Pois somente o homem repensando suas vontades e verdades será capaz de mudar de atitude frente a vida problemas colocados pelo cotidiano da vida. E, somente aquele homem que não se contenta com as crenças e opiniões preestabelecidas pela sociedade, pela mídia, ciência, política e cultura será capaz de elaborar um olhar crítico e criterioso sobre algo, e ir em direção à atitude filosófica.
Contudo, para fazermos esse movimento de olhar em diversas direções é necessário produzir um tipo de reflexão que nos predisponha a mergulhar de maneira profunda e apaixonada no conhecimento que queremos ter da realidade a nossa volta e, principalmente, do quanto queremos conhecer de nós mesmos. Como dizia Sócrates (470 – 399 a.C), “Conhece-te a ti mesmo”. Este é, sem dúvidas, o primeiro passo para adotarmos a atitude filosófica em nossas vidas.


Prof. de Fil. João Bôsco Almeida Cruz

Perguntas:
1 – Baseado na leitura do texto, responda o que você entende por atitude filosófica.
2 – Relacione a frase do filósofo Sócrates ”Conhece-te a ti mesmo” com o texto “A Atitude

Filosófica na vida”.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O homem moderno e a descrença na Filosofia

O homem moderno e a descrença na Filosofia


A inversão de que trato aqui, a consequência das descobertas de Galileu, embora tenha sido muitas vezes interpretada em termos de inversões tradicionais (1) e, portanto, como integrando a história ocidental das ideias, é de natureza completamente diferente. A convicção de que a verdade objectiva não é dada ao homem e que ele só pode conhecer aquilo que ele mesmo faz não advém do cepticismo, mas de uma descoberta demonstrável e, portanto não leva à resignação, mas a uma actividade redobrada ou ao desespero. A perda do mundo na filosofia moderna, cuja introspecção descobriu a consciência como sentido interior com o qual o indivíduo sente os seus sentidos, e verificou que ela era a única segurança da realidade, difere não só em grau da antiga suspeita dos filósofos em relação ao mundo e aos outros seres que com ele compartilhavam o mundo; agora, o filósofo já não volta  as costas a um mundo de enganosa perecibilidade para encarar outro mundo de verdade eterna mas volta as costas a ambos e recolhe-se dentro de si mesmo. O que descobre na região do ser interior, é, novamente, não uma imagem cuja permanência pode ser observada e contemplada, mas, pelo contrário, o constante movimento da percepções sensoriais e a actividade  mental, em movimento não menos constante. Desde o século XVII, a filosofia produziu os seus melhores e menos discutidos resultados quando investigava, num supremo esforço de auto-inspecção, os processos dos sentidos e da mente. Sob este aspecto grande parte da filosofia moderna é, realmente uma teoria da cognição e da psicologia; e nos poucos casos em que as potencialidades do método cartesiano de introspecção foram plenamente realizadas por homens como Pascal, Kierkegaard e Nietzsche, somos tentados a dizer que os filósofos experimentaram com o próprio ser não menos radicalmente e talvez mais afoitamente que os cientistas experimentaram com a natureza.

Por mais que possamos admitir a coragem e respeitar a extraordinária engenhosidade dos filósofos no decurso de toda a era moderna, não se pode negar que a sua influência e a sua importância diminuíram como nunca antes ocorrera. Não foi no pensamento da Idade Média, mas no da era moderna, que a filosofia passou a segundo ou mesmo a terceiro plano. Depois de Descartes ter baseado a sua filosofia nas descobertas de Galileu, a filosofia parece condenada a seguir sempre um passo atrás dos cientistas e das suas descobertas, ainda mais espantosas que as de Galileu cujos princípios tenta arduamente descobrir ex post facto e ajustar a alguma interpretação geral da natureza do conhecimento humano. Como tal, porém a filosofia não era necessária aos cientistas que - pelo menos até ao nosso tempo – acreditavam não precisar de uma serva, e muito menos de uma que pretendesse “carregar o archote à frente da sua preciosa ama” (Kant). Os filósofos tornaram-se epistemologistas, preocupados com uma teoria geral da ciência da qual os cientistas não necessitavam, ou tornaram-se realmente aquilo que Hegel queria que fossem: os órgãos do Zeitgeist, os porta-vozes através dos quais o estado de espírito geral da época era expresso com clareza conceptual. Em ambos os casos quer pesquisassem a natureza ou a história, tentavam compreender e fazer face ao que estava a acontecer sem a sua ajuda. Obviamente a filosofia sofreu mais com a modernidade que qualquer outro campo de ocupação humana; e é difícil dizer que sofreu mais em decorrência da quase automática elevação da actividade a uma dignidade completamente inesperada e sem precedentes ou da perda da verdade tradicional, ou seja, do conceito de verdade que havia por trás de toda a nossa tradição.



Hannah Arendt, A condição Humana, Relógio D’Água, Lisboa  2001, pág. 359, 360, 361

(1) A inversão operada por Platão coloca-se em relação aos conceitos Homéricos; assim a vida em comum é a caverna quando para Homero seria a luz, pelo contrário para Platão a luz é a da alma fora da convivência com os outros homens. O que em Homero era sombra, a alma, é em Platão o inverso, é o corpo que é a sombra da alma. Exemplo que, para Arendt, pretende demonstrar a inversão operada pela filosofia em relação aos conceitos de acção e contemplação tradicionais. A vida activa dos filósofos é a vida do pensamento que pressupõe o prévio afastamento e a distanciação da vida mundana da polis mas que não prescinde dela, pelo contrário, deverá querer modelá-la e transformá-la de acordo com o seu lugar privilegiado, ou compreendê-la conceptualmente e impor-lhe limites éticos.


Essa inversão operada por Platão da vida activa para a vida contemplativa, na hierarquia das actividades consideradas superiores, vai ter como consequência o afastamento  progressivo da filosofia dos assuntos mundanos e consequentemente da sua capacidade para intervir no mundo real, no mundo dos acontecimentos. Com a introdução do conhecimento moderno esta hierarquia vai viver um novo estatuto, a vida activa e a vida contemplativa ganham um novo significado; a vida activa é condicionada pela produção, o homem da polis, destinado segundo a tradição grega,  aos grandes feitos e grandes palavras, dá lugar ao homem fazedor, aquele que produz os instrumentos que permitem transformar o mundo, o que é o mesmo que produzir um outro mundo não acessível aos sentidos, (uma vez que o mundo que é dado a ver por estes novos instrumentos não é o mundo que se vê em comum)o mundo científico/tecnológico. A Filosofia ficará remetida para o exame da consciência, afastamento do comum na medida em que o produto da consciência é algo que não pode ser partilhado enquanto fluxo incessante de representações. Marca de uma outra inversão em relação ao projecto filosófico da tradição antiga que exigia distanciação em relação ao comum de modo a compreendê-lo, o novo projecto busca a compreensão do sujeito  enquanto singularidade, o comum passa a ser, não o espaço sensível dos acontecimentos mas o espaço universal da linguagem racional, a matemática,  concebido como o único espaço onde os humanos se podem entender. Deste modo a linguagem da Filosofia passa a ser algo fora da linguagem comum, algo sobre o qual os homens não se entendem, um espaço de ideias que não versam o mundo exterior ao homem e também não versam o que é comum aos homens.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Critica da Musica Admiravel Chip Novo Pit

A música “Admirável Chip Novo”, de autoria da cantora Pitty promove uma crítica a sociedade e as formas de governo em virtude das “obrigações” impostas à população, que muitas vezes se vê forçada a realizá-las, e que devido a isso, perde a sua individualidade. A música levanta questionamentos, como por exemplo: “Nós realmente temos direito de escolha? O voto é um direito, ou seria um dever? Nossa opinião é levada em consideração?”. Com suas críticas às formas de controle da sociedade, através de determinações sociais, governamentais e/ou ideológicas, a música apresenta intertextualidade, a começar pelo título, com o livro de Aldous Huxley, “Admirável Mundo Novo”, publicado em 1932.
Aldous, em sua obra, retrata um universo futurista controlado por um “Estado Global”. Nesse universo fictício não há espaço para questionamentos, incertezas ou depressão, uma vez que toda a população faz uso de uma espécie de droga denominada “soma” que os impedem de serem autônomos e terem características humanas como dúvida ou insegurança. Essa sociedade busca a felicidade completa de toda população, população essa que, segundo as ideologias, deve ser perfeita. Nesse mundo, a sociedade divide-se em castas, cada qual com sua função social, o que acaba por gerar discriminação entre castas diferentes. Ainda no universo ficcional de Huxley, existe uma série de regras que proíbem a população de ter filhos, amarem alguém, ou aderir a alguma religião.
Na música de Pitty, a cantora, personificada na figura de um robô faz uma crítica à sociedade atual. Tanto a música quanto o livro, falam sobre a manipulação humana, bem como o egocentrismo que a cada dia que passa torna-se mais presente nos meios sociais. O cantor, Zé Ramalho, anos antes, também utilizou do recurso da intertextualidade ao compor a música “Admirável Gado Novo”, só que dessa vez para tratar da questão agrária no Brasil.
 “Sim, senhor. Não, senhor.” O “robô” da música de Pitty repete essas expressões demonstrando ser um ser manipulado, dominado, sem direito à opinião, pré-programado somente para obedecer. E repete expressões como: “use, seja, ouça, diga”, e muitas outras convenções sociais que persistem em dizer o que indivíduo deve, ou não, fazer. No livro de Aldous, a sociedade é composta de pessoas que, também pré-programadas, devem cumprir papéis específicos referentes à sua casta e conseqüentemente gostar dessa sua função, independente de qual seja, sem questionar o motivo ou desejar ocupar um cargo social diferente.
“Admirável Mundo Novo” ultrapassou as gerações e, pelo que podemos observar, muito do que foi descrito e tratado por muitos como mero utensílio ficcional, hoje se insere na nossa realidade, é o caso dos relacionamentos amorosos de curto prazo, da constante evolução do campo das tecnologias digitais e especialmente o desenvolvimento do campo da genética e clonagem humana, que até então, eram apenas elementos fictícios. Muito do que foi descrito por Aldous, no ano de 1932, se faz presente no século atual.
No romance, o personagem Bernard Marx, sente-se diferente dos demais membros de sua casta, questiona consigo mesmo qual a finalidade de viver em uma sociedade tão global, que apesar de tantos avanços, não assegura à civilização a liberdade e autonomia, uma vez que a população mais parece com robôs do que com humanos. No decorrer do livro, percebe-se que muitos personagens acabam por quebrar as regras impostas por essa sociedade. Bernard não consegue resistir às dúvidas e busca soluções para seus questionamentos, a personagem Lenina acaba por amar alguém no decorrer da história, e até mesmo o personagem que ocupa o cargo de Diretor do Centro de Condicionamento e Incubação descumpre as regras do sistema, entre outros personagens.
Na música de Pitty, o “robô” na qual a cantora se personifica, acredita ser um humano, mas, logo chega à conclusão de que todos estão predispostos a simplesmente obedecer, e que embora creiamos que estamos libertos dessas imposições, novas imposições se repetiram mais tarde, como por exemplo, na passagem: “(...) Eu sempre achei que era vivo, parafuso e fluido em lugar de articulação, até achava que aqui batia um coração. Nada é orgânico, é tudo programado, e eu achando que tinha me libertado, mas lá vêm eles novamente, eu sei o que vão fazer: reinstalar o sistema (...)”, que significa dizer que quando a sociedade acredita estar livre de algum preceito, o sistema acaba por substituir essa imposição por outra, ou seja, “reinstalar o sistema”, formando um ciclo.
A relação entre “Admirável Chip Novo” e “Admirável Mundo Novo” está muito além do título dessas obras, ela também se faz presente na temática abordada, ou seja, nas críticas a sociedade que se deixa manipular, que não exerce a sua autonomia e individualidade e no que resulta esse jogo de regras e convenções que julgam e qualificam o ser humano.

Música Admirável Chip Novo - Pitt

Pane no sistema alguém me desconfigurou 
Aonde estão meus olhos de robô? 
Eu não sabia, eu não tinha percebido 
Eu sempre achei que era vivo 
Parafuso e fluído em lugar de articulação 
Até achava que aqui batia um coração 
Nada é orgânico é tudo programado 
E eu achando que tinha me libertado 
Mas lá vem eles novamente, eu sei o que vão fazer: 
Reinstalar o sistema 

Pense, fale, compre, beba 
Leia,vote, não se esqueça 
Use, seja, ouça, diga 
Tenha, more, gaste, viva

Pense, fale, compre, beba 
Leia,vote, não se esqueça 
Use, seja, ouça, diga 

Não senhor, Sim senhor, Não senhor, Sim senhor

Pane no sistema alguém me desconfigurou 
Aonde estão meus olhos de robô? 
Eu não sabia, eu não tinha percebido 
Eu sempre achei que era vivo 
Parafuso e fluído em lugar de articulação 
Até achava que aqui batia um coração 
Nada é orgânico é tudo programado 
E eu achando que tinha me libertado 

Mas lá vem eles novamente, eu sei o que vão fazer: 
Reinstalar o sistema 

Pense, fale, compre, beba 
Leia,vote, não se esqueça 
Use, seja, ouça, diga 
Tenha, more,gaste, viva

Pense, fale, compre, beba 
Leia,vote, não se esqueça 
Use, seja, ouça, diga 

Não senhor, Sim senhor, Não senhor, Sim senhor

Mas lá vem eles novamente, eu sei o que vão fazer: 
Reinstalar o sistema...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ESCATOLOGIA (INTRODUÇÃO)

ESCATOLOGIA
(Dividiremos este tema em algumas partes para melhor compreensão)


Conceituando...
            Escatologia é uma palavra originada do grego “ESCHATÓN” que significa “ÚLTIMO”. Portanto, literalmente escatologia significa o discurso dos últimos acontecimentos. Já em latim, se traduze por “AS COISAS MAIS NOVAS” ou ainda “AS ÚLTIMAS”.
            Uma das grandes indagações do ser humano sempre foi e continua sendo as perguntas clássicas: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Por isso a escatologia aborda esse universo de questões e acontecimentos que refletem a existência do ser humano neste e no mundo futuro. Portanto, junto às grandes questões da humanidade também se encontram buscas para respondê-las e, a Igreja com sua autoridade dada por Deus dá a todos os seus fiéis as respostas através dos tempos. Levando em consideração as mudanças teológicas, como veremos. Nada mais justo então do que começarmos com a indagação? Que é o homem?

 Que é o homem?

            O salmo 8 já nos faz referência de que o ser humano é importante para Deus, seu criador: “Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?”. E continua manifestando a grandeza do ser humano afirmando que ele é semelhante ao próprio criador: “Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor; vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes”.
            O ser humano é composto assim como da mesma essência divina, espírito, contudo, possui também um corpo no qual entendemos como a morada do altíssimo, o templo do Espírito Santo. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus”? (1Cor 6,19). Mas o ser humano não é só espírito, ele é também corpo, alma e espirito (divindade).

Que o próprio Deus da paz vos santifique totalmente, e que tudo aquilo que sois – espírito, alma, corpo – seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!  (1Ts 5,23).
           
Qual a diferença entre alma e espírito? O espírito é um ser dotado de inteligência e vontade, mas sem corpo, sem dimensões materiais, sem forma, sem tamanho, ou seja, é a própria essência de Deus. É o Deus vivo que habita em nós. A alma também é espiritual, também é imortal por si mesma, mas pode ser aniquilada por Deus. O corpo é mortal porque sofre as variações naturais dos tempos, os enfraquecimentos que são próprios da natureza humana. Contudo nos escritos paulinos o termo “espírito” (pneuma) tem diversos significados, podendo ser entendido como Espírito Santo (cf Rm 5,5), como também a graça da vida cristã (cf. 1Cor 2,14ss).
Em cada ser humano há apenas uma alma que é responsável por todas as funções do corpo humano, vegetativas, sensíveis e intelectuais. O ser humano é um só corpo e uma só alma (cf. Ef. 4,1). Embora corpo e alma sejam distintos um do outro, são complementares entre si e formam um só todo psicossomático [1]. A alma precisa do corpo para desenvolver suas potencialidades. No dia da morte, quando serão separados o corpo e alma, ela usufruirá dos valores adquiridos enquanto estava unida ao corpo. E não haverá possibilidade alguma de retorno para expiação [2]. Este é o tempo propício para a salvação, é agora que deveis buscar o encontro com o Senhor, não depois da morte. Para isso serve a reflexão sobre os fins dos tempos (parusia) [3]. O que meditaremos logo mais.
A separação do corpo e da alma não pode ser entendida como dualismo, pois o corpo não pode ser entendido prisão da alma, como algo negativo por ser matéria, conforme vemos na doutrina maniqueísta, órfica, pitagórica ou hinduísta. A doutrina cristã rejeita o dualismo e entende que tanto a matéria como o espírito são criaturas de Deus, e por isso ontologicamente boa (Gn 1,31). Nem por isso a doutrina cristã cai no monismo que identifica entre si matéria e espírito. A doutrina cristã identifica a dualidade, ou seja, a distinção entre corpo e alma, matéria e espírito, sem considerá-los antiéticos entre si, e sim complementares, é assim com a criação do homem e da mulher que não são antagônicos, distintos, mas complementares entre si.
A escatologia individual diz respeito aos acontecimentos que afetarão cada individuo no fim de sua jornada terrestre. A escatologia coletiva compreende a consumação da história e do universo ou os acontecimentos com o fim dos tempos.


[1] Psicossomático - Que concerne simultaneamente ao corpo e ao espírito. Ligado especialmente a fatores de ordem psíquica (conflitos etc.), ou seja, o que é sofrido e sentido no corpo se sente e se vive na alma.
[2] Reparação pela culpa cometida. Ou seja, não haverá retorno nem reencarnações. Uma vez morte só haverá o julgamento divino.
[3] Segunda vinda de Cristo.


Por João Bôsco
(Filósofo, Teólogo, Sociólogo)